| UMA
VISÃO DE SAÚDE
A saúde é um bem precioso do qual poucos se dão conta. Estar saudável e sentir-se bem só costuma ser valorizado quando ocorre uma doença. E por mais repentina que uma doença possa parecer, ela nunca começa de repente. Toda e qualquer doença é, em seu primórdio, apenas uma dificuldade. Dificuldade para realizar uma tarefa, ou para expressar-se , ou para sentir, ou para funções fisiológicas ( digestão, eliminação, sono, etc ). A dificuldade não cuidada evolui para problemas que evoluem para sintomas do tipo ansiedade, angústia, dores, prisão de ventre, insônia, etc. Os sintomas são, de início, leves e tendem a piorar com o tempo, se não tratados. É frequente, nesse estágio, ainda não haver base orgânica para justificá-los. Isso motiva diagnósticos como: "Você não tem nada. É psicológico." (ou "é emocional"). Esta sentença costuma deixar as pessoas mais perdidas ainda, porque o sintoma está lá incomodando e parece que não há nada a fazer ou que a vertente emocional não admite tratamento. É equívoco. Há muitas formas de atuação, em todos os níveis. Qualquer ser humano necessita de um investimento contínuo em MANTER-SE SAUDÁVEL. Afinal, se não se der manutenção à "máquina corpo", sintomas evoluem para doenças. A doença é o resultado físico, orgânico dos descuidos anteriores. Não nos parece muito sensato você voltar com seu sintoma para casa, após o diagnóstico "você não tem nada" e ficar esperando acontecer a lesão física que irá exibir a doença. O conhecimento sobre os quatro elementos é milenar. A filosofia e as ciências, em sua origem, os colocaram na base de todas as coisas. É compreensível, pois nos tempos mais remotos, a observação direta da natureza é que permitia reflexões e postulações teóricas que até hoje são preciosas. A física quântica, com seu sofisticado aparato tecnológico, fez comprovar no mundo das partículas atômicas e subatômicas as leis que regulamentam a relação matéria-energia. Não há de ser mera coincidência que essas mesmas leis provadas experimentalmente no microcosmos, tenham sido descritas pelos estudiosos chineses no macrocosmos entre 8000-6000 a.C. Os orientais compreendem a vida pela complementaridade das energias yin - yang, ou seja, feminino/passivo/receptivo e masculino/ativo/penetrante. A complementaridade significa que são energias que se completam e se alternam para que a vida possa existir. São opostas em sua forma, mas fluem em sua alternância, a exemplo da noite - dia, inspiração - expiração, inverno - verão. No universo vivo, uma coisa não existe sem a outra. Entre os sumérios, no ano 4000 a.C., foram estruturados os conhecimentos matemáticos e simbólicos que são a base da astrologia, descrita através dos quatro elementos em doze formas de apresentação. A simbologia dos "doze" atravessa a História da humanidade de muitas formas: os doze trabalhos de Hércules, os doze meses do ano, os doze apóstolos, os doze signos... A astrologia é um conhecimento que sobreviveu nos últimos 6000 anos, sendo continuamente utilizada, inclusive nos dias de hoje. Apesar de simplificadas e generalizadas nas publicações para leigos, as leituras são feitas a partir de estudos metódicos e sistemáticos. E, como ensinaram os gregos, "a Verdade é filha do Tempo". Se um saber sobrevive ao tempo, ele contém uma verdade. Isso todos sabemos. Carl Jung, no começo do século XX, retoma tais preceitos para conferir-lhes a força de arquétipos. Arquétipos são elementos que contêm a força da repetição na mente humana e que, enquanto simbologia universal, constituem o Inconsciente Coletivo. Jung associa funções psíquicas aos quatro elementos: terra/sensações; água/sentimentos; ar/pensamento; fogo/ação e intuição. No século V a.C., Hipócrates (460-377 a.C.), pai da Medicina, fez a sua famosa e atual descrição dos temperamentos humanos básicos, a partir dos quatro elementos. Baseado nos quatro "humores" do corpo ( bile, pituita ou linfa, astra-bile ou líquor e sangue ), Hipócrates fez a mais antiga classificação dos tipos de temperamentos que se conhece - melancólico, fleumático, sanguíneo e colérico - associando-os à terra, água, ar e fogo, respectivamente. O temperamento seria a forma mais primitiva de reação de um ser humano frente aos fatos e obstáculos da própria vida. É uma inscrição psíquica, mas registrada no biológico, no hereditário, no orgânico. Nós, humanos, nasceríamos já com uma predisposição básica de reação - o temperamento - que vai sendo modulado pela educação, pelos tratamentos e maturidade, mas não vira outro. Conhecê-lo é aprender a libertar-se do primitivo que há em nós. Também, no início do século XX, Rudolf Steiner, pai da Antroposofia, acrescenta às correlações feitas, seus postulados sobre como o corpo físico precisa ser permeado por substâncias vitalizadas para estar além do Reino Mineral. A vida do corpo físico seria mantida por corpos supra-sensíveis, ou seja, não constituídos por matéria concreta, mas associados em sua estruturação e função aos quatro elementos (terra/físico; água/etérico; ar/astral; fogo/Eu). Terra, água, ar e calor são os elementos essenciais para que a vida se instale e se mantenha em um corpo. Fora isso é pedra, é reino mineral. A terra oferece sua estrutura, a matéria da qual se constitui. A água acrescenta o "vivo" da matéria e, ao circular, lhe confere vitalidade, poder de crescimento, regeneração e reprodução. O ar eleva o ser além do mineral e do vegetal, lembrando que a terra é tanto mais fértil quanto mais aerada. Terra sem ar é rocha, é pedra. O ar é a ponte entre o visível e o invisível. O ar no ser humano traz o movimento da renovação: o ar renova o oxigênio, alimento de todas as células. Quanto mais renovado, mais força de circulação tem o mundo mental: idéias, criatividade, imaginação. A criação só é possível se pudermos nos liberar do velho e do já estabelecido. E, por fim, é o calor do sol que faz crescer as plantas. É a mesma energia que aquece nossos processos físicos e acende nosso entusiasmo. Isso pode significar alegria ou explosões de raiva, coração quente, ações de intervenção no mundo ou de ir além de si mesmo. O ser humano é o único animal que sabe sobre seu envelhecimento e morte e, sendo assim, pode transcendê-los, transformando-os em uma farta colheita de frutos para a humanidade. Ele pode organizar a sua experiência de vida terrestre em ensinamentos sobre o crescimento e a evolução do ser e da vida. O ser humano é o único ser capaz de realmente transformar a terra, tendo a liberdade de cuidar dos reinos mineral, vegetal e animal ou destruí-los. Alcançando esse nível de consciência sobre si mesmo, sobre o alcance de suas ações no mundo físico e no mundo "invisível", o homem pode integrar-se à harmonia cósmica do universo vivo. Compreender mais profundamente a interdependência e a sinergia dos quatro elementos dentro de si mesmo e nas relações com o outro e o planeta irá realmente ampliar a participação de cada um de nós no próprio destino e da vida, em geral. Se a saúde está estabelecida em manter a vida em sua melhor qualidade, entendemos que aprender a usar os quatro elementos para evolução e cura do planeta Terra, das relações afetivas, da renovação do mundo mental, da transcendência de si mesmo, é uma fonte de sabedoria que tem oferecido respostas em todos os momentos da humanidade. É isso que justifica o curso proposto como CO-EVOLUÇÃO E CURA ATRAVÉS DOS QUATRO ELEMENTOS. Integramos a nossa experiência de doze anos em uma sequência de aulas que pretendem divulgar esse conhecimento. |