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MÊS DE AGOSTO É a segunda apresentação do fogo nessa leitura dos doze arquétipos. Se o primeiro fogo (Áries) tinha a impulsividade, a pressa de querer agir da imaturidade, em seu segundo momento, o fogo traz a consciência de si mesmo, uma força já dominada e produtiva. É o fogo que aquece a vida - os encontros da sedução, da sexualidade e do coração. É a força que brilha e atrai os outros para nós. Aquilo que nos faz especiais, admirados. O símbolo do rei dos animais provoca essa reverência ao poder, à nobreza. Pode crescer em ambição, influência, prestígio, status até sentir-se isolado. Ou pode ter consciência desse seu aspecto real e tomar posse de sua força interna, de seu potencial criativo, reconhecendo o significado e o propósito da própria vida. E, ao saber de si, pode-se saber do outro. A grandeza leonina entre os humanos é saber dirigir suas forças e seu fogo solar para as pessoas à sua volta, despertando-lhes a coragem e a confiança em suas próprias possibilidades. Tornam-se portadores e doadores de luz. Como o sol, aquecem seus semelhantes, mas o fazem com o calor de seu próprio coração. Fora isso, correm o risco de se perderem na ambição, no orgulho e na vaidade. Distanciam-se da expressão de seu próprio ser, para manterem papéis exigidos pela situação ou para atender às expectativas dos outros. Ao se perderem de si mesmos, tornam-se artificiais, formais, incapazes da intimidade por temerem revelar sua assustada pequenez atrás do "falso self". O desgaste pode resultar num colapso tipo "Síndrome do Pânico". O aprendizado é "onde sou rei, eu posso fazer o outro melhor". E, consciente de sua grandeza, ser capaz da gratidão por se ser quem é. A gratidão é a mais agradável das virtudes, mas não é a mais fácil. Não é troca de favores. Não dá para confundir gratidão com retribuição de cortesias. A moeda de troca da gratidão é a alegria e o amor. A gratidão é um segundo prazer, que prolonga um primeiro, como um eco de boas sensações. Prazer de receber alegria ou de ser alegre. A gratidão nada tem a dar além do prazer de ter recebido. A gratidão sempre está acompanhada da humildade, pois sempre se reconhece devedora de quem provoca a alegria, o amor ou o bem-estar. A humildade também está em reconhecer seus próprios limites e, sabedor deles, reconhecer o quanto o outro pode ser importante na sua vida por permitir trocas, por te oferecer algo que você não poderia sozinho ou por melhorar algo seu. A gratidão nutre a generosidade, que nutre a gratidão. A gratidão sabe que recebeu: de um amigo, de um desconhecido, de Deus, da existência... Ela se sabe objeto de uma graça: a graça de existir, a graça da vida, do sol, da beleza, do universo... Então, ela agradece, sem saber a quem nem como, porque é bom agradecer, render graças. Há um doce prazer em perceber todas as coisas que nos excedem, nos contêm, nos fazem viver, nos arrebatam, fazem o coração pulsar mais rápido, enchem o peito de alegria. A graça maior é existir, pois permite sentir tudo isso. Mas é preciso agradecer a todos aqueles que são capazes de revelar a graça da existência e celebrá-la. Agradecer aos músicos, poetas, artistas, amantes enquanto seres capazes do amor. A gratidão é assim o segredo mais íntimo da amizade. "A amizade conduz sua dança ao redor do mundo convidando todos nós a despertar para dar graças" (Epicuro). |