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Obesidade e o pecado da Gula: uma cilada evolutiva Nós humanos que habitamos a terra neste momento somos os
sobreviventes de milhares de anos de seleção natural. Nossos ancestrais
sobreviveram a fenômenos naturais, doenças e todos os conflitos decorrentes
da miséria humana. Para tanto não faltaram terremotos, meteoros, a era
glacial, peste, tuberculose, sífilis, pneumonia, insalubridade, a obscuridade
da Idade Média e as Guerras. A fome foi o elemento comum a todos este
eventos. Sobreviveram as pessoas que eram capazes de tolerar a falta de
nutrientes e que tivessem grande capacidade adaptativa em sobreviver com
aquilo que encontravam. Como resultado, tornamo-nos onívoros oportunistas, ou
seja, somos capazes de digerir vários tipos de alimentos. Isto nos trouxe uma
grande vantagem em relação às outras espécies e permitiu-nos ocuparmos toda a
terra. Hoje somos máquinas de alta rentabilidade, fazemos tarefas complexas
com gasto energético relativamente baixo, somos capazes de armazenar energia
sob a forma de gordura e transmitimos estas habilidades aos nossos
descendentes. O problema é que nos últimos anos a raça humana tornou-se
predominantemente urbana, amontoada em cidades por todo o planeta. Nas
cidades, a cadeia de prestação de serviços é infinita e a tecnologia trouxe
um conforto nunca pensado – elevadores, escada rolante, vidro elétrico,
carro, controle remoto de tudo, até das relações, através da internet. As
crianças podem brincar sem sair do lugar só mexendo os dedinhos e nós,
humanos de alta rentabilidade, gastamos quase nenhuma energia para vivermos
um dia. A equação entre o consumo e gasto de energia sofre um desvio, que
resulta, dentre outras coisas, na curva ascendente e progressiva da
obesidade, a ponto desta ser considerada epidêmica. Será que estamos em uma cilada evolutiva? Sobrevivemos tanto a fome
que quando a abundância veio, não estamos preparados bioquimicamente para
usufruí-la? Será que agora morreremos ou vamos adoecer por consumirmos
comida, lazer e conforto As medicações que existem para tratamento da obesidade ou atuam na
saciedade ou dificultam a absorção de gordura – estamos precisando
medidas purgativas como as adotadas nos banquetes de Baco na Roma Antiga. È preciso pensarmos coletivamente sobre o consumo desenfreado e
desnecessário que adoece as pessoas, as relações e o ambiente. É preciso
pensarmos hoje como transmitir a justa medida aos nossos filhos. É preciso
promover saúde e não só tratar a doença. È preciso aprender a escolher com
consciência para sermos livres para existir. |