O tamanho de uma onda...

Terminando de ler uma notícia sobre o Furacão Fabian, que passou pelas Bermudas, vejo um detalhe que me trouxe lembranças: o furacão chegou a formar ondas de três metros de altura.
As lembranças?
Bem, em 1995 pude aprender como se media a altura de uma onda.
Apesar de não entrar no mar há longos dois anos, a maioria de vocês sabe que continuo apaixonada por ele.
Sou assim, meio peixe, e naquela época essa paixão já era muito evidente.
Mas uma coisa me intrigava: se uma onda me ultrapassava em altura, e eu meço 1,57 m, com certeza essa onda teria uma altura maior.
Entretanto, sabia que não podia ser assim, pois lia notícias sobre ondas ameaçadoras de 3 metros.
Mucuri tinha um mar relativamente calmo, portanto era ilógico afirmar que as ondas normais lá tinham por volta de 2 metros de altura.
Foi nessa época, em 1995, que conheci um surfista que finalmente me esclareceu: a altura de uma onda se mede por trás dela e é calculada a partir da superfície do mar.
Quer dizer, você olha de frente e vê aquele monstro que parece que vai te derrubar.
Cria coragem, respira fundo, mergulha por baixo dela ("fura a onda"), volta à superfície e olha para a onda que continua em direção à praia.
Aí, sabe o que você vê?
Uma ondulaçãozinha de nada, meros 20 ou 30 cm de altura...
Foi assim que aconteceu.

Durante algum tempo, foi um exercício delicioso, olhar aquelas ondas enormes, furá-las, e medir sua altura.
Espalhei esse conhecimento para os meninos que conhecia, e era gostoso ver todo mundo fazendo isso.
De repente, bastava olhar de frente para uma onda para ser capaz de avaliar sua altura.
Teve seu lado frustrante, esse exercício.
Deixei de me ver tão corajosa como muitos afirmavam que eu era.
Afinal de contas, as ondas enormes que eu enfrentava, com prancha, ou sem ela, furando, pegando carona, atravessando, nadando, chegavam, no máximo, em raras ocasiões, a sessenta centímetros!
Bom, para salvar a minha reputação, é bom lembrar que as maiores mesmo eu estava ocupada demais em sobreviver para me lembrar de medir...
De qualquer forma, foi um aprendizado, e muito gratificante.
Romper a barreira do desconhecido é sempre produtivo.
Poder conhecer o tamanho do que nos assusta, e de repente constatar que não é tão grande assim, nos dá a dimensão da nossa própria força, do nosso próprio tamanho.
E na vida, como no mar, muitas e muitas vezes é assim.
Para enxergar uma onda de um tamanho mais compatível com a nossa capacidade de resistência, basta olhar para ela pelo outro lado.
Ter a lucidez, em meio a um problema que parece enorme, de procurar olhar para ele por outro lado, costuma ajudar bastante a ver seu tamanho real...
Claro que, em meio a um furacão, os pontos de vista são mais limitados.
De qualquer forma, a maioria dos nossos problemas são ondas que parecem ter dois metros quando não passam de dez por cento disso!

De uma amiga que sempre visita nosso site
(e-mail recebido em setembro/2003)

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